Switch Open Source do Facebook vs Cisco

O “Olhar Digital” publicou uma matéria polêmica em seu site, intitulada“Facebook cria hardware open source que pode desbancar Cisco” (link na íntegra). Apesar do seu conteúdo ser bastante relevante no atual cenário da área de networking, seu título é um tanto sensacionalista e foi motivo de muita discussão nas redes sociais – provavelmente esse era o objetivo! O Wedge é o Switch Open Source  do Facebook (vide figuras), cujo gerenciamento e configuração são realizados pelo software FBOSS, fora do dispositivo (controladora externa). A “tecnologia” por trás da matéria é uma espécie híbrida de SDN, acrônimo de Software-Defined Networking.
Atualmente os dispositivos que compõem a infraestrutura das redes (switches, roteadores eappliances) possuem na mesma caixa ambos os planos de encaminhamento (via hardware) e de controle (via software). O paradigma SDN propõe o desacoplamento dos planos de controle e de encaminhamento, tornando os dispositivos da infraestrutura (hardware) bastante simples e especializados em encaminhar pacotes, sendo que surgem novos elementos de software responsáveis pela inteligência (plano de controle).
Fonte: Facebook Code

A maior promessa de SDN é que esses controladores são programáveis, o que permite que toda a rede seja gerenciada e remodelada com base nas necessidades específicas de cada ambiente (flexibilidade). Não pretendo detalhar SDN e os leitores interessados no assunto podem recorrer a outro artigo que escrevi há um ano, intitulado “Paradigma SDN de Redes Programáveis”. Aproveito a oportunidade para reproduzir no blog uma ponderação minha sobre o assunto que foi fruto de uma discussão no grupo “CCNA Brasil” do Facebook.

É importante ter em mente que qualquer previsão radical tende a ser frustrada no panorama da computação, a exemplo de várias afirmações totalmente equivocadas que grandes nomes da indústria de computação já manifestaram em momentos históricos. Aliás, penso que o posicionamento radical não é saudável em nenhuma área do saber, basta observar as consequências do radicalismo na política… A discussão no grupo se desenvolveu no sentido de buscar uma resposta sobre o quanto SDN é realmente apelativo para a indústria e quais são suas perspectivas futuras, especificamente no que diz respeito à Cisco. Outra preocupação é o reflexo desse novo paradigma para os profissionais especializados na área de redes. Pois bem, minha contribuição foi a seguinte:
***
Vale lembrar que a Cisco está acompanhando o mercado e financia pesquisas em SDN. Dentre outras empresas líderes da indústria, a Cisco é membro da ONF (Open Network Foundation). Inclusive participou do processo de definição do framework Open Daylight, considerado um padrão SDN, ainda muito recente (2013). Além de padrões abertos, a Cisco também tem suas propostas menos flexibilizadas, a exemplo do ONE e OpFlex. 
O OpFlex, por exemplo, propõe uma arquitetura de SDN um pouco diferente da convencional, se é que podemos dizer que existe algo convencional em SDN, onde os dispositivos (plano de encaminhamento via hardware) têm “inteligência” para interpretar comandos externos (do plano de controle) escritos em “linguagens” de alto nível de forma declarativa e, então, decidir as melhores configurações que devem ser realizadas para efetivar um comando. Essa é uma estratégia que a Cisco enxerga como possibilidade para manter sua liderança num possível futuro em que o plano de controle esteja em dispositivos externos, já que os dispositivos de encaminhamento não teriam que ser tão simples (e baratos). 
Por outro lado, essa proposta não é bem vista no contexto original de SDN que busca simplificar (especializar) a operação de encaminhamento. O SDN é apenas uma peça num quebra-cabeça maior proposto pela IBM denominado SDE (Software-Defined Environment), que busca flexibilizar TODA a infraestrutura de TI, inclusive os sistemas e bancos de dados. O fato é que a gente vai presenciar muitas mudanças nos próximos 10 anos, como já estamos presenciando atualmente, e continuaremos tendo que nos reciclar continuamente. Não adianta chorar, o importante é acompanhar… Se não for SDN, serão outras as tecnologias com potencial para causar ruptura no mercado: para as empresas e profissionais.
***
É inegável que está surgindo um movimento crescente nas grandes empresas de computação que possuem enorme tráfego de dados no sentido de adotar soluções SDN, sejam elas proprietárias ou abertas – por isso temos que aceitar o potencial desse novo paradigma. Por outro lado, também é inegável que hardware poderoso e de qualidade é imprescindível para lidar com grandes volumes de pacotes (pps). Nesse aspecto temos que reconhecer que hardware de qualidade especializado em rede é algo que a Cisco sabe fazer, assim como outras empresas líderes da indústria neste segmento! Por fim, a definição de SDN ainda está em processo de amadurecimento e é cedo para fazer previsões otimistas ou pessimistas, o importante é acompanhar…
Fonte: http://labcisco.blogspot.com.br/2014/06/switch-open-source-do-facebook-vs-cisco.html
Autor: Samuel H Bucke Brito

 

Uma infraestrutura inovadora para capturar o valor da Internet de Todas as Coisas

Como diz o ditado, as únicas coisas certas na vida são a morte e os impostos. Todos sabemos que há mais que esse dois, incluindo mudanças e sua contraparte, a ruptura. O sucesso empresarial será resultado da capacidade de resposta e adaptação, que ocorrerão em uma velocidade e com uma inteligência que estamos apenas começando a compreender. E, a maioria dos CIOs com quem conversei estão perguntando como é possível adaptar e escalar sua infraestrutura para que ela esteja preparada, à medida que a Internet das Coisas evolui para a Internet de Todas as Coisas.

Saiba como sua infraestrutura pode ser inteligente, flexível e segura durante as constantes transformações empresariais. Clique em cada quadro interativo para descobrir fatos relevantes.

Essa mudança traz grandes implicações à TI. O papel da TI está mudando diante dos aplicativos móveis e em nuvem e a crescente compreensão de que toda empresa é uma empresa de tecnologia. Da consumerização da TI até o que o vice-presidente do Gartner, David Cearley, chama de “quatro forças potentes: social, móvel, nuvem e informações”, a TI precisa demonstrar cada vez mais que pode agregar valor à empresa, através da distribuição rápida e segura de novos serviços, aplicativos e recursos em um mundo conectado.

Para permanecerem competitivas, as organizações devem focar em construir uma infraestrutura que seja simples, ágil e segura. Essa abordagem significa que é possível obter os serviços, aplicativos e recursos de tecnologia verdadeiramente inovadores que podem melhorar as “pessoas”, os “processos” e as “coisas” da sua empresa.

Os líderes empresariais atuais precisam obter mais valor de sua infraestrutura existente e reduzir a complexidade e o aumento dos custos de gerenciamento. À medida que trabalho com esses líderes, muitos deles frequentemente apresentam quatro questões principais que estão enfrentando hoje:

Prepare-se para o futuro

Funcionários e clientes querem uma experiência melhor e mais rápida. Além disso, à medida que mais experiências se tornam disponíveis através de aplicativos, uma infraestrutura precisa se tornar mais aberta, programável e sensível aos aplicativos. Uma infraestrutura deve ser ágil.

Um bom exemplo disso é como a SunGard Availability Systems está preparando o futuro da TI através da automatização da capacidade de programação da infraestrutura. Kerby Lyons, Vice-presidente de engenharia de rede global, serviços de disponibilidade da SunGard, descreveu como sua empresa está construindo a automação de TI:

“Nossa estratégia para o futuro é automatizar a programação de rede. Essa é uma mudança radical para nossa empresa e nossos clientes. Não ter que esperar que engenheiros programem a rede nos ajudará a levar novos serviços mais rapidamente ao mercado. A capacidade de programação de rede também possibilitará oferecer novas opções self-service que nossos clientes estão solicitando, como agendamento de largura de banda”.

Permitir a simplicidade e reduzir os custos

Além de ser ágil, a infraestrutura do futuro deve ser inteligente. Isso significa uma infraestrutura que fornece simplicidade, gera valor e reduz o custo de propriedade.

Em fevereiro de 2013, a Cisco lançou um estudo que prevê que US$ 14,4 trilhões de valor (lucro líquido) no setor privado estarão em jogo mundialmente ao longo da próxima década, impulsionado pela conexão do que está desconectado – P2P (pessoas com pessoas), M2P (máquinas com pessoas) e M2M (máquinas com máquina), através da Internet de Todas as Coisas.

A partir desse estudo e da pesquisa de apoio Valor em Jogo da Internet de Todas as Coisas, podemos ver que as principais empresas que capturam o valor em jogo da IoE estão inovando continuamente. Elas estão inovando a maneira de desenvolver, produzir, vender e fornecer seus produtos e serviços. Isso ocorre em grande parte, devido a sua necessidade de concorrer com empresas em mercados locais que enfatizam a inovação tecnológica e dos processos empresariais. Para capturar mais valor da IoE, elas precisam focar na construção de uma infraestrutura inteligente para crescerem.

Além disso, as organizações precisam adotar esse novo modelo de TI para reduzir as despesas operacionais e criar experiências de alta qualidade para o usuário, quando muitos tipos de tráfego competem pela largura de banda.

Mitigar ameaças de segurança

A ameaça da segurança de computadores é maior que nunca. A expansão da conectividade de qualquer dispositivo e para muitas nuvens está afetando significativamente o panorama das ameaças. À medida que cada vez mais dispositivos e aplicativos se conectam, essas conexões criam riscos de segurança e maior potencial de expor vulnerabilidades.

De acordo com o Relatório de Segurança Anual da Cisco de 2013, a grande maioria dos encontros com malware na web acontece em websites confiáveis que você já visitou. Uma infraestrutura que permite que administradores de rede ajustem ou programem políticas de segurança através de software, em vez de configurar manualmente o hardware, pode aumentar a segurança e ajudar a mitigar ameaças.

SDN2

É claro que, agora, a infraestrutura habilitada para a IoE é mais fácil de obter que nunca, graças aos hardware e softwares certos, construídos essencialmente para serem ágeis, simples e seguros.

Como a infraestrutura programável pode transformar sua empresa? Acesse as Perspectivas Executivas da Cisco para saber mais.

Recursos adicionais:

o   Síntese e análise de resultados mundiais

o   Ver o infográfico

Autor: Jim Grubb
Fonte: http://gblogs.cisco.com/br/2014/06/16/uma-infraestrutura-inovadora-para-capturar-o-valor-da-internet-de-todas-as-coisas/

 

Marco Civil da Internet entrou em vigor nesta segunda-feira

Lei estabelece direitos e deveres para internautas e provedores.
Projeto foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff em 23 de abril.

O Marco Civil da Internet, lei que funciona como uma Constituição para o uso da rede no Brasil, entra em vigor nesta segunda-feira (23). O projeto foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff em 23 de abril após tramitar por dois anos na Câmara dos Deputados e estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para internautas e empresas.

saiba mais

A chamada neutralidade de rede é um dos principais pilares do Marco Civil. Com ela, os provedores de internet ficam proibidos de ofertar conexões diferenciadas a partir do conteúdo que o usuário for acessar, como e-mails, vídeos ou redes sociais. A venda de velocidades diferentes de acesso continua valendo.

Críticos da neutralidade dizem que o princípio restringe a liberdade dos provedores para oferecer conexões diferenciadas conforme a demanda dos clientes e que sua aplicação obrigatória pode encarecer o serviço a todos.

Privacidade
Outra regulamentação do Marco Civil diz respeito à retirada de conteúdo da internet. Provedores de conexão e aplicações na internet não serão responsabilizados pelo uso que os internautas fizerem da rede e por publicações feitas por terceiros.

Até então não havia regras específicas sobre o caso e as decisões judiciais variavam – alguns juízes punem sites como Facebook e Google por páginas ofensivas criadas por usuários, enquanto outros magistrados optam por penalizar apenas o responsável pelo conteúdo.

De acordo com a nova legislação, as entidades que oferecem conteúdo e aplicações só serão responsabilizadas por danos gerados por terceiros se não acatarem ordem judicial exigindo a retirada dessas publicações. O objetivo da norma, segundo o deputado Alessandro Molon, relator do projeto, é fortalecer a liberdade de expressão na web e acabar com o que chama de “censura privada”.

O sigilo das comunicações dos usuários da internet não pode ser violado. Provedores de acesso à internet serão obrigados a guardar os registros das horas de acesso e do fim da conexão dos usuários pelo prazo de seis meses, mas isso deve ser feito em ambiente controlado.

A responsabilidade por esse controle não deverá ser delegada a outras empresas.

Não fica autorizado o registro das páginas e do conteúdo acessado pelo internauta. A coleta, o uso e o armazenamento de dados pessoais pelas empresas só poderão ocorrer desde que especificados nos contratos e caso não sejam vedados pela legislação.

Fim do marketing dirigido
Com o Marco Civil, as empresas de acesso não poderão “espiar” o conteúdo das informações trocadas pelos usuários na rede. Há interesse em fazer isso com fins comerciais e publicitários, nos moldes do que Facebook e Google fazem para enviar anúncios aos seus usuários de acordo com as mensagens que trocam.

Essas normas não permitirão, por exemplo, a formação de bases de clientes para marketing dirigido, segundo Molon. Será proibido monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes, salvo em hipóteses previstas por lei.

Autor: G1

Vídeo deve responder por 84% do tráfego até 2018, diz Cisco

Hoje, serviços como Netflix e YouTube respondem por 78% do tráfego de toda a web

Por Agências

WASHINGTON – O consumo de vídeo somente na Copa do Mundo vai gerar um tráfego de Internet equivalente a quase todo o tráfego na Austrália em 2013, segundo um novo relatório da Cisco mostrando que o crescimento no tráfego da Internet é puxado pelo vídeo.

O relatório, que diz que vídeo deve crescer para 84% do tráfego na Internet nos Estados Unidos ante cerca de 78% atualmente, levanta questões sobre se as provedoras de serviço de Internet devem priorizar o tráfego, o que se tornou um ponto polêmico.

“No futuro em algum ponto, a cada mês vai parecer que há uma Copa pois o consumo não para de crescer”, disse Robert Pepper, vice-presidente política de tecnologia global da Cisco.

A Cisco, uma das maiores fabricantes de equipamentos de redes, analisa o uso e a velocidade de dispositivos, conexões e dados para realizar uma projeção anual do crescimento do tráfego na Internet.

O relatório, divulgado nesta terça-feira, vem conforme a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) debate legislação sobre o tráfego na Internet, ou “neutralidade na rede”, que pode conceder para companhias de telecomunicações o direito de priorizar tipos de tráfego.

Críticos das alterações propostas temem que as regras criarão “vias rápidas” para companhais que pagam e tráfego mais lento para os outros.

Nem todo o tráfego de Internet será igual, segundo o relatório. Dispositivos médicos conectados via Internet, por exemplo, terão um perfil de dados diferente da transmissão de vídeo, mas uma maior urgência de velocidade.

O relatório prevê que, até 2018, as máquinas conectadas à Internet vão ultrapassar as televisões como os dispositivos conectados com crescimento mais rápido, correspondendo a mais de 46 por cento do tráfego de dados, ante atuais 25%.

/ REUTERS

Autor: Estadão
Fonte: blogs.estadao.com.br/link/video-deve-responder-por-84-do-trafego-ate-2018-diz-cisco/

 

Certificação de equipamentos IPv6 pela Anatel

A Anatel recentemente fez a consulta pública: Proposta de requisitos para a certificação de equipamentos para telecomunicações da Categoria I quanto ao suporte ao protocolo IPv6.

O NIC.br respondeu à consulta e aqui divulgamos a contribuição feita.

As demais contribuições podem ser lidas no próprio sítio da Anatel.


São Paulo, 02 de junho de 2014.

À 
ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações)

Ref.: Comentários e recomendações sobre a consulta pública: “Proposta de requisitos para a certificação de equipamentos para telecomunicações da Categoria I quanto ao suporte ao protocolo IPv6.”

O NIC.br atua como Registro Nacional Internet no país, sendo sua função a distribuição dos números IP, incluindo IPv4 e IPv6, conforme atribuições concedidas pelo Comitê Gestor da Internet e como parte do modelo global de gestão desses recursos, integrado também por entidades como a IANA (Internet Assigned Numbers Authority) e o LACNIC (Registro Regional da Internet para a Região da América Latina e Caribe).

Temos, ao longo dos últimos anos, feito uma série de esforços para tornar pública a necessidade da transição para o IPv6 e facilitá-la. Nesse contexto pode-se citar o portal http://ipv6.br com diversas informações e material didático gratuito; os cursos de formação gratuitos para operadoras de telecomunicações, provedores, redes acadêmicas, órgãos do governo e outras entidades, por meio dos quais foram treinados cerca de 4000 profissionais; eventos técnicos; reuniões de coordenação, com participação de operadoras, associações, ministério público, polícia federal, OAB, ANATEL, fabricantes e outras entidades; entre outras ações.

Sentimo-nos na obrigação, então, de expressar nossa opinião em relação à consulta pública no. 13, feita pela ANATEL: “Proposta de requisitos para a certificação de equipamentos para telecomunicações da Categoria I quanto ao suporte ao protocolo IPv6.”

Requisitos técnicos

Em primeiro lugar, gostaríamos de analisar os requisitos técnicos, em si, conforme o texto da consulta.
Vale notar que a equipe técnica do NIC.br interagiu com a equipe da ANATEL durante a definição desses requisitos, tendo como contato principal o sr. Davison Gonzaga da Silva. Ressalta-se ainda que os requisitos estão aderentes ao que foi proposto pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, em sua resolução 008/2014 [1].

De forma geral, então, concordamos que os Requisitos técnicos propostos são os necessários para garantir a compatibilidade e interoperabilidade dos diversos tipos de terminais e roteadores de pequeno porte com o IPv6. Com as seguintes ressalvas:

Pertinência da exigência desses requisitos pela ANATEL

A ANATEL, no informe 6/2014 – ORCN/SOR, que figura como anexo à Consulta Pública em questão, afirma:

5.12. Um assunto que gera muita polêmica é a relação do protocolo IP e os serviços de telecomunicações e a Internet. De fato, no Brasil, a questão é mais polêmica devido à consideração de a Internet ser um serviço de valor adicionado.

5.13. Entretanto, quando se trata o protocolo IP, no âmbito das telecomunicações, trata-se, de fato, das redes de transporte, ou redes de suporte aos serviços de telecomunicações. O protocolo IP é utilizado, hoje, em quase todas as redes de transporte, e transformou-se praticamente no protocolo universal de transporte de informações. Não há como dissociá-lo.

5.14. Assim, a Lei estabelece que à Agência compete tratar de redes de telecomunicações e da fruição dos serviços, o que não exclui os que dependem da utilização do protocolo IP, segundo o inciso XIV do art. 19 da LGT.

O protocolo IP, utilizado na Internet, dada a abrangência e cobertura da rede, passou a ser utilizado como infraestrutura de redes de transporte, principalmente no centro das redes das principais operadoras de telecomunicações, inclusive para transportar voz, mas os equipamentos para os quais está sendo proposta a certificação não se enquadram na categoria de rede de transporte.

A consulta pública abrange os equipamentos de Categoria I, que incluem telefones IP, telefones móveis, modems, pequenos roteadores domésticos, entre outros terminais. Para esses casos é difícil argumentar que o IP é tecnologia de transporte. Ao contrário, a tecnologia IP é utilizada principalmente para permitir o acesso à Internet.

Do ponto de vista técnico e operacional, pode haver ainda casos em que tais equipamentos de fato não são utilizados com IP, mas sim com outros protocolos. Esses casos não são incomuns quando há equipamentos utilizados em funções de automação diversas. A exigência do suporte ao IP, seja na versão antiga ou na nova, encareceria tais equipamentos sem razão, pois exigiria o suporte a protocolos que não seriam de fato utilizados.

Ademais, nota-se que mesmo sem a exigência dos requisitos técnicos para suporte ao IPv6, os fabricantes de terminais estão começando a disponibilizar no mercado produtos com IPv6 a custos decrescentes. Por outro lado, mesmo que os requisitos sejam obrigatórios, não há garantia de que os produtos já certificados pela ANATEL, sem os requisitos técnicos para o IPv6, deixem de ser produzidos e comercializados no mercado brasileiro.

Sugestões

Acreditamos que a ANATEL poderia colaborar de forma efetiva com a aceleração da implantação de IPv6 se:

  1. No lugar de exigir tais requisitos na certificação de todos os equipamentos de Categoria I, simplesmente exigisse que as operadoras de telecomunicações comprassem apenas equipamentos aderentes a tais requisitos, quando utilizados para o acesso à Internet. Incluindo, por exemplo, os telefones móveis que são vendidos aos clientes pelas próprias operadoras e os roteadores domésticos oferecidos a clientes banda larga. Isso teria um efeito prático imediato no mercado, e não afetaria os casos em que esses equipamentos não são de fato utilizados para o acesso à Internet.
  2. Recomendasse às operadoras um cronograma mais agressivo para o suporte ao IPv6 no acesso à Internet, tendo como referência a resolução 007/2012 do CGI.br [2].

Recomendamos, então, que os requisitos técnicos de que trata a consulta em questão não sejam incluídos nas exigências de certificação dos equipamentos de Categoria I.

Ressaltamos que continuamos, entretanto, à disposição, qualquer que seja a decisão final da Agência, para auxiliar a equipe técnica da ANATEL no que for possível, nessa matéria.

Atenciosamente,

Antonio Marcos Moreiras 
Gerente de Projetos e Desenvolvimento – CEPTRO – NIC.br

Referências:
[1] http://cgi.br/resolucoes/documento/2014/008
[2] http://cgi.br/resolucoes/documento/2012/007

Autor: Antônio M. Moreiras
Fonte: http://ipv6.br/certificacao-de-equipamentos-ipv6-pela-anatel/

Next Page →